“A Cidade do Vício”, de Fialho de Almeida (1857 – 1911), é uma das obras mais expressivas do realismo português, reunindo contos que revelam o olhar crítico, mordaz e profundamente humano do autor. Dedicada a Joaquim Xavier de Figueiredo e Mello Oriol Pena, a coletânea apresenta narrativas densas e intensas, que exploram os contrastes morais e sociais da vida urbana.
🌆 Entre a medicina e o jornalismo
Os contos de A Cidade do Vício foram escritos ainda no período em que Fialho de Almeida cursava medicina — formação que concluiu em 1885, embora tenha exercido a profissão apenas esporadicamente. Sua verdadeira vocação estava na literatura e no jornalismo, campos onde deixou marcas indeléveis por seu estilo vigoroso e irônico.
💀 Retratos da decadência
Com uma prosa afiada e de forte carga moral, Fialho expõe a hipocrisia e a corrupção dos costumes lisboetas, retratando personagens movidos por desejos, vícios e frustrações. Suas histórias penetram os bastidores da cidade moderna — dos cafés e teatros às ruas sombrias —, revelando um mundo em que a vaidade, o prazer e a miséria se confundem.
🖋️ O estilo de Fialho de Almeida
Considerado um dos grandes estilistas da língua portuguesa, Fialho combina lirismo e sarcasmo, crítica social e observação psicológica. Sua escrita intensa antecipa tendências do naturalismo e do decadentismo, revelando um autor atento ao mal-estar de sua época e à falência das ilusões modernas.
📚 Um clássico da ficção portuguesa
A Cidade do Vício permanece como uma obra fundamental para compreender o pensamento e a estética de Fialho de Almeida — um autor que fez da literatura um instrumento de provocação e de verdade. Entre o grotesco e o sublime, seus contos expõem a alma contraditória de uma sociedade em transformação.
“Lisboa é um palco onde o vício se veste de virtude e a dor se disfarça de festa.”

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