terça-feira, 21 de outubro de 2025

À Margem da História - Euclides da Cunha [LibriVox]

“À Margem da História”, de Euclides da Cunha (1866–1909), é uma coletânea de textos publicada postumamente em 1909, que reúne ensaios, artigos e reflexões escritas pelo autor nos últimos anos de vida. Nessa obra, Euclides amplia o olhar crítico e científico que já havia mostrado em Os Sertões, voltando-se agora para a Amazônia, o homem amazônico e o processo de colonização brasileira.


🧭 Contexto

Após o impacto de Os Sertões (1902), Euclides foi enviado como engenheiro e correspondente do governo à Amazônia, onde presenciou a realidade da região durante o ciclo da borracha. As observações feitas nessa viagem — sociais, geográficas e humanas — formaram a base de À Margem da História.


📘 Estrutura e Conteúdo

O livro não é um ensaio único, mas uma reunião de textos curtos, entre os quais se destacam:

  • “Judas-Ahsverus” – reflexão simbólica sobre o sofrimento humano e o destino do homem condenado a errar.

  • “O Inferno Verde” – descreve as dificuldades e a luta do homem na selva amazônica.

  • “Os Sertanejos” – retoma o tema do sertão, mostrando semelhanças e contrastes entre o sertanejo e o amazônico.

  • “Os Caucheiros” – denúncia das condições brutais de trabalho dos seringueiros e da exploração na economia da borracha.


🌿 Temas Principais

  • A crítica ao colonialismo interno: Euclides denuncia a exploração do homem pelo homem, especialmente na Amazônia.

  • A luta do homem contra a natureza: o ambiente hostil é apresentado como um desafio físico e moral.

  • O abandono do interior do Brasil: o autor questiona o contraste entre o progresso urbano e o atraso das regiões periféricas.

  • A visão científica e humanista: une observação geográfica, sociológica e filosófica.


✍️ Estilo

O estilo de Euclides é denso, erudito e poético, misturando linguagem científica e literária. Ele combina descrição naturalista, análise social e reflexão moral, o que faz de À Margem da História uma obra que transita entre a literatura, o jornalismo e a sociologia.


💡 Importância

  • Mostra a evolução do pensamento euclidiano, mais maduro e crítico do que em Os Sertões.

  • Antecipou preocupações ecológicas e sociais que só ganhariam força no século 20.

  • É um testemunho histórico da Amazônia no início do século 20 e um retrato profundo do homem marginalizado no Brasil.


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