“Cartas de Inglaterra”, de José Maria Eça de Queirós (1845 – 1900), revela o olhar crítico e refinado do grande romancista português sobre a sociedade europeia do século 19. Publicadas em 1905, após a morte do autor, essas cartas foram escritas durante seu período no serviço consular britânico, em Newcastle e Bristol, e mostram um Eça observador, analista e profundamente irônico diante do mundo moderno.
🖋️ Eça jornalista e ensaísta
Mais do que simples correspondências, as Cartas de Inglaterra são verdadeiros ensaios de observação política e cultural. O autor comenta acontecimentos contemporâneos, festividades, livros, e até questões sensíveis, como a situação do povo judeu e a postura dos ingleses diante das demais nações. Tudo isso com o estilo elegante e mordaz que o consagrou.
🌍 Retrato de um mundo em transformação
As reflexões de Eça vão muito além da Inglaterra: abrangem a Europa e, indiretamente, Portugal, revelando sua preocupação com o progresso, o comportamento social e o contraste entre civilização e hipocrisia. É uma leitura essencial para compreender o Eça pensador — o homem por trás do romancista.
📜 Uma obra pouco conhecida, mas reveladora
Embora menos famosa que Os Maias ou O Crime do Padre Amaro, esta coletânea de cartas mostra um lado mais direto e ensaístico de Eça de Queirós, reafirmando seu talento em unir ironia, crítica e lucidez.
“Cartas de Inglaterra” é uma janela aberta para o pensamento de um dos maiores escritores de língua portuguesa — lúcido, elegante e sempre atual.

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