terça-feira, 21 de outubro de 2025

Auto da Barca do Inferno - Gil Vicente [LibriVox]

“Auto da Barca do Inferno”, escrito por Gil Vicente em 1517, é uma das obras mais célebres do teatro português e um marco do teatro vicentino. Nesta peça moral e satírica, o autor retrata o julgamento das almas após a morte, conduzindo-as à Barca do Inferno ou à Barca do Paraíso. Com ironia, humor e crítica social, Gil Vicente denuncia os vícios e hipocrisias da sociedade do seu tempo, especialmente entre o clero, a nobreza e o povo.

🎭 Sobre a obra

Primeiro texto da trilogia das barcas — seguida pelo Auto da Barca do Purgatório e pelo Auto da Barca da Glória —, o Auto da Barca do Inferno foi representado pela primeira vez em Lisboa em 1517. A peça apresenta uma série de personagens que, após a morte, chegam ao porto onde estão ancoradas duas barcas: uma conduzida pelo Diabo e outra pelo Anjo. Cada alma tenta justificar sua vida, mas apenas os verdadeiramente justos são aceitos na barca celestial.

⚖️ Personagens e símbolos

Entre os personagens estão o Fidalgo, o Onzeneiro, o Parvo, o Frade, o Corregedor, o Judeu, o Sapateiro e o Enforcado, entre outros. Cada um representa um tipo social e moral, simbolizando os diferentes pecados e virtudes humanos. A Barca do Inferno representa a condenação e o castigo dos pecadores, enquanto a Barca do Paraíso simboliza a salvação e a pureza espiritual.

🔥 Temas e crítica

Gil Vicente usa o humor e a alegoria para criticar os costumes, a corrupção e a hipocrisia de sua época. A obra é, ao mesmo tempo, moralizante e satírica, mostrando que nem o poder, nem a riqueza, nem o prestígio social garantem a salvação da alma. Sua linguagem mistura o popular e o erudito, refletindo a transição do Medievo para o Renascimento.

📚 Importância literária

O Auto da Barca do Inferno é considerado uma das maiores expressões do teatro português e da literatura moral europeia do século 16. Representa o auge da dramaturgia vicentina e marca o nascimento de uma tradição teatral crítica e popular em língua portuguesa. Ainda hoje, é estudado e encenado como uma das obras fundamentais do humanismo e da sátira social.

💬 Com humor, ironia e uma visão profunda da alma humana, Gil Vicente transforma o destino das almas em espelho da sociedade — onde o riso e a crítica caminham lado a lado.




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