“Ânsia Eterna”, de Júlia Lopes de Almeida (1862 – 1934), é uma das mais belas e significativas coletâneas de contos da literatura brasileira. Publicado em 1903, o livro reúne histórias delicadas, intensas e humanas, nas quais a autora revela sua profunda sensibilidade e olhar crítico sobre a condição feminina, o envelhecimento, as desigualdades e as emoções que movem o coração humano. Júlia, uma das maiores escritoras do seu tempo, foi pioneira na defesa da mulher na literatura e na sociedade, e figura essencial na redescoberta das vozes femininas do Brasil do início do século 20.
📖 Sobre a autora
Júlia Lopes de Almeida nasceu no Rio de Janeiro em 24 de setembro de 1862. Foi romancista, cronista, contista, dramaturga e uma das intelectuais mais respeitadas de sua época. Participou da fundação da Academia Brasileira de Letras, embora tenha sido impedida de integrar a instituição por ser mulher — um reflexo do preconceito de gênero de seu tempo. Casou-se com o poeta português Filinto de Almeida e, juntos, formaram um dos casais literários mais influentes do período.
🌹 Sobre “Ânsia Eterna”
Lançado pela Editora Garnier em 1903, o livro Ânsia Eterna reúne cerca de trinta contos que exploram temas universais: a solidão, o amor, o medo, o envelhecimento e a posição da mulher na sociedade. Júlia escreve com estilo refinado, linguagem elegante e uma sensibilidade rara para o drama cotidiano. Em contos como “As três irmãs” e “A morte da velha”, a autora revela o destino de mulheres marcadas pelo tempo e pelas convenções sociais, num tom ao mesmo tempo poético e crítico.
✨ Importância literária
Ânsia Eterna é considerada por muitos estudiosos como a obra-prima em prosa curta de Júlia Lopes de Almeida. Seus contos mesclam introspecção psicológica e crítica social, antecipando aspectos do modernismo e do realismo psicológico. Redescoberta recentemente, sua obra ganhou novas edições e estudos acadêmicos, consolidando Júlia como uma das vozes femininas mais importantes da literatura brasileira.
🌿 “Ânsia Eterna” é uma leitura que resgata a força, a sensibilidade e a inteligência da mulher escritora no Brasil do início do século 20 — uma voz que permanece viva e atual, à margem apenas do esquecimento, mas nunca da história.

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