“Mateus e Mateusa”, de José Joaquim de Campos Leão (1829 – 1833), mais conhecido como Qorpo-Santo, é uma obra teatral que antecipa surpreendentemente o teatro do absurdo e o surrealismo. Nesta peça insólita, o autor constrói um enredo em torno de um casal de idosos — Mateus e Mateusa — que, após cinquenta anos de convivência, vive em constantes discussões e acusações mútuas de abandono.
🎭 Um teatro à frente de seu tempo
Com linguagem fragmentada e situações paradoxais, Qorpo-Santo rompe com as convenções do teatro realista do século 19. A peça revela um autor ousado, cuja visão crítica e experimental só seria compreendida décadas mais tarde, quando o teatro moderno abraçou o absurdo, a ironia e o nonsense como formas de expressão legítimas.
💬 O caos familiar como metáfora
O cotidiano conflituoso de Mateus e Mateusa é retratado com humor e amargura. As brigas intermináveis e as acusações recíprocas refletem não apenas a deterioração das relações humanas, mas também a incomunicabilidade — tema que se tornaria central no teatro existencialista do século 20.
🎶 As vozes das filhas
As três filhas — Silvestra, Pêdra e Catarina — “cantam” seus sentimentos, expressando a tensão emocional e a herança do conflito parental. Por meio dessas vozes femininas, Qorpo-Santo dá forma poética ao caos doméstico, ampliando o alcance simbólico da peça.
🖋️ Um gênio incompreendido
Hoje, Qorpo-Santo é reconhecido como um dos mais originais dramaturgos brasileiros, pioneiro na criação de um teatro que desafia a lógica e expõe as contradições do ser humano. “Mateus e Mateusa” é uma obra singular, que combina humor, filosofia e desconcerto, abrindo caminhos para o teatro moderno.
“Entre risos e acusações, Qorpo-Santo revela o espelho quebrado da convivência humana.”

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