“A Oração da Coroa”, de Demóstenes, é uma das mais admiráveis obras da oratória da Grécia Antiga e um marco da eloquência política. Escrita e pronunciada em 330 a.C., durante o período em que Alexandre, o Grande — sucessor de Filipe da Macedônia — empreendia a conquista da Ásia, a peça nasce como uma brilhante defesa da liberdade e da honra ateniense.
Demóstenes, reconhecido por sua luta incansável contra a expansão macedônica e pela defesa da independência de Atenas, havia recebido do povo uma coroa de ouro como símbolo de gratidão e respeito. No entanto, seu adversário político, Ésquines, defensor da política pró-Macedônia, contestou essa homenagem, acusando-o de ilegalidade e desonra. Em resposta, Demóstenes proferiu “A Oração da Coroa” — um discurso de autodefesa tão poderoso e persuasivo que se tornou referência eterna de retórica e coragem cívica.
Com uma argumentação sólida e apaixonada, o orador expôs sua trajetória pública, refutou cada acusação e reafirmou os valores de liberdade, justiça e patriotismo que guiavam sua ação política. A força de sua palavra foi tamanha que Ésquines acabou derrotado e exilado, reconhecendo a superioridade de seu rival.
Mais do que uma resposta a um inimigo político, “A Oração da Coroa” é um testemunho da grandeza moral e intelectual de Demóstenes. Sua eloquência serviu de modelo para gerações posteriores, influenciando profundamente a tradição da oratória ocidental. O discurso é considerado até hoje uma obra-prima da persuasão, da ética e do amor à liberdade.
Autor: Demóstenes | Data: 330 a.C. | Gênero: Discurso político e oratório | Tema central: Defesa da liberdade e da honra cívica de Atenas

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